| Coluna Boa Semente
14.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Domingo, 06 de Julho de 2008
Introdução
Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, a Liturgia da Palavra deste 14.º Domingo do Tempo Comum, nos ensina que podemos encontrar o caminho da libertação, se percorrermos o caminho da humildade e da mansidão. O Messias vem. Ele virá de forma humilde, simples, como pobre.
Mas, determinantemente, como Senhor, como Juiz, que julgará aqueles que viveram no Espírito e aqueles que viveram na carne. Os primeiros receberão a libertação e a Salvação; os segundos, a morte eterna. Antes disto tudo acontecer, Ele dará oportunidade para depositarmos Nele toda a nossa confiança: Vinde a Mim todos os cansados e sobrecarregados e eu os aliviarei.
Quem tiver a sabedoria e a inteligência para conseguir se aproximar de Cristo nesta vida, pela humildade e mansidão, aproximar-se-á Dele no Reino dos Céus!
Liturgia da Palavra
1.ª Leitura: Zc 9,9-10.
Assim diz o Senhor:“Exulta, cidade de Sião! Rejubila, cidade de Jerusalém. Eis que vem teu rei ao teu encontro, ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado num jumento, um potro, cria de jumenta.
Eliminará os carros de Efraim, os cavalos de Jerusalém; ele quebrará o arco de guerreiro, anunciará a paz às nações. Seu domínio se estenderá de um mar a outro mar, e desde o rio até aos confins da terra”.
Salmo Responsorial – Salmo 144/145.
R.: Bendirei, eternamente, vosso nome, ó Senhor!
- Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu Rei, e bendizer o vosso nome pelos séculos. Todo os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre.
- Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.
- Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor de vosso reino e saibam proclamar vosso poder!
- O Senhor é amor fiel em sua palavra, é santidade em toda obra que ele faz. Ele sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou.
2.ª Leitura: Rm 8,9.11-13.
Irmãos,vós não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vós. Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo. E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que mora em vós.
Portanto, irmãos, temos uma dívida, mas não para com a carne, para vivermos segundo a carne. Pois, se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se, pelo espírito, matardes o procedimento carnal, então vivereis.
Evangelho: Mt 11,25-30.
Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”
PARTILHA
Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, neste domingo, a Liturgia da Palavra nos indica algumas atitudes que devem caracterizar a vida de todo cristão.
Partindo do estilo de Jesus, a liturgia hodierna nos mostra qual deve ser o comportamento do cristão dentro do mundo. Jesus espera de todo cristão, que ele seja o sal da terra e a luz do mundo. O cristão deve ser aquele que dá brilho e sabor novo a todas as coisas típicas do mundo. Não é necessário que mudemos ou reneguemos as realidades do mundo, mas vê-las e vivê-las de modo diferente.
Evidenciar aquilo que de sagrado e divino já está presente nas coisas e no mundo. Foi isto que Jesus fez entre nós. Ou seja, procurou ser um Messias simples, humilde e pobre chegando num jumentinho e por isso, Efraim e Jerusalém devem festejar a libertação e a vida nova.
Ao contrário dos demais soberanos da terra e ao contrário das expectativas do próprio povo que o esperava, o novo Rei será manso e humilde. Eliminará todos os instrumentos de guerra e convocará as nações para que vivam em paz. Tal profecia realiza-se em Jesus, como bem prefigurou o profeta Zacarias, na 1.ª Leitura.
Ele de fato abriu as portas do Reino de Deus para todos os homens e deixou para a sua Igreja, a missão de continuar sua obra.
Jesus ao longo de sua vida terrena, agiu em tudo, segundo a justiça de Deus, repudiando radicalmente o pecado, mas acolhendo e amando profundamente a pessoa do pecador, através da mansidão.
Realizou sua missão em favor da humanidade, acolhendo o plano do Pai e sendo-lhe obediente até a morte humilhante na cruz. Fez-se pequeno com os pequenos e pobre com os pobres. Deu preferência aos simples, humildes, aos puros de coração, aos doentes, pecadores, desprezados e últimos entre os homens.
Na 2.ª Leitura, o Apóstolo Paulo, recorda-nos que viver o estilo de vida de Cristo, é uma obrigação de todo cristão. O Espírito de Cristo que recebemos no batismo, nos fez pessoas totalmente livres do pecado e de suas conseqüências.
Pois, quanto mais deixarmos dentro de nós espaços para a ação do Espírito Santo, mais livres seremos diante do que é passageiro, mortal e típico do pecado.
Cabe aqui um lembrete: nós estamos no mundo, mas não pertencemos a ele. Por isso, temos que alimentar em nós as obras do Espírito: a paz, a comunhão, o amor fraterno, a caridade, a unidade, a confiança, a humildade, a pureza, a transparência e a obediência fiel ao plano e a vontade do Pai.
Por fim, no Evangelho, o Messias - Jesus Cristo - convida todos os cansados e sobrecarregados a se aproximarem Dele e a encontrarem Nele o alívio para suas vidas.
Este convite do Senhor é dirigido a todos, indistintamente, mas onde não há o terreno propício, a semente não poderá germinar, crescer e frutificar. Esta preferência de Deus pelos pequenos, humildes e ignorantes, é motivo de alegria e esperança para todos nós. Somos pequenos, temos tantas limitações e, no entanto, escutamos a voz de Deus que nos convida para grandes coisas.
Às vezes nos intimidamos diante de nossas fraquezas e ficamos em silêncio, sem responder ao convite de Deus. Mas, isto não é necessário, pois os critérios de Deus são diversos dos nossos. Pelos fracos, Ele derruba os poderosos; pelos ignorantes, Ele derruba os sábios; nos fracos, Ele manifesta a sua força; nos pecadores, Ele faz valer a sua misericórdia.
Quando todos acreditarem sinceramente nisto, então muitos terão coragem de se colocar a disposição de Deus, sem se preocuparem mais com suas fraquezas e limitações. Então o Reino de Deus deixará de ser uma utopia e aparecerá no meio de nós com toda a sua força transformadora.
Muitos talvez até tivessem coragem, mas nunca tiveram a oportunidade de escutar e meditar a Palavra de Deus como nós temos. Portanto, sejamos os primeiros. Deus precisa de nós e quer contar com nossa colaboração. Não importa o quanto temos para oferecer, mas ofereçamos o nosso pouco ou muito com alegria e generosidade. O que vier a faltar às nossas forças, a graça haverá de suprir.
Pois como diz o ditado popular: o muito sem Deus é nada e o pouco com Deus é muito. Pensemos nisso!
Deus Abençoe a todos!
Ir. Francisco Aparecido da Silva, CRSP.
e-mail: xicomineiro@yahoo.com.br
Sobre o Ir. Francisco:
- Professo simples da Congregação dos Padres Barnabitas.
- Formado em Filosofia pelo Centro de Estudos Superiores Sagrado Coração de Jesus da cidade de São José do Rio Preto - S.P.
- Formado em Teologia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino da cidade de Belo Horizonte - M.G.
- Atualmente está se preparando para ingressar no Mestrado em Teologia (estudos Bíblicos) pela Faculdade Nossa Senhora da Assunção da cidade de São Paulo - S.P.
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