Coluna Boa Semente



6º DOMINGO DO TEMPO COMUM


Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

 

Introdução

         Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, neste domingo se inicia a leitura do discurso da planície, com que Lucas apresenta a nova lei, a vida moral do cristão. No fundo, toda moral natural se pode resumir nesta norma: age segundo aquilo que és. A ação moral está incluída na linha da natureza. Na Bíblia as coisas são diferentes.
            A fórmula clássica da lei moral no Antigo Testamento começa assim: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair do Egito, da condição de escravo. Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20,2-3). Em seguida, determina os preceitos morais: não matar, não roubar, não cometer adultério. Começa-se com uma declaração de fatos históricos, vistos à luz da fé. Os fatos se referem à libertação do povo da escravidão e à sua constituição em nação livre. Os mandamentos são o corolário dos acontecimentos.
            No Novo Testamento a fundamentação é análoga; o ensinamento moral está ligado ao anúncio do evangelho. Mas aqui há um fato, um acontecimento histórico preciso do qual deriva o compromisso moral.
                       
Liturgia da Palavra

1.ª Leitura: (Jr 17,5-8).

Isto diz o Senhor: “Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar na secura do ermo, em região salobra e desabitada. Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca de umidade, por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos”.

Salmo Responsorial Salmo Sl 1.

R.: É feliz quem a Deus se confia.

- Feliz aquele homem que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.

- Eis que ele é semelhante a uma árvore que, à beira da torrente, está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar, mas bem outra é a sorte dos perversos.

- Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento; por isso, os ímpios não resistem no juízo nem os perversos, na assembléia dos fiéis. Pois, Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.

2.ª Leitura: (1Cor 15,12.16-20).

Irmãos: Se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como podem alguns dizer entre vós que não há ressurreição dos mortos? Pois, se os mortos não ressuscitam, então Cristo também não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados. Então, também os que morreram em Cristo pereceram. Se é para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, nós somos - de todos os homens – os mais dignos de compaixão. Mas, na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram.

Evangelho: (Lc 6,17.20-26).

Naquele tempo, Jesus desceu da montanha com os discípulos e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e grande multidão de gente de toda a Judéia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e Sidônia. E, levantando os olhos para os seus discípulos, disse: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! Bem-aventurados, vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir! Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do Homem! Alegrai-vos, nesse dia, e exultai, pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! Ai de vós, que agora tendes fartura, porque passareis fome! Ai de vós, que agora rides, porque tereis luto e lágrimas! Ai de vós quando todos vos elogiam! Era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas.

PARTILHA:

Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, a 1.ª Leitura, é um texto de estilo sapiencial inserido num contexto profético, sem ligação com ele. O mesmo conceito, segundo o estilo da poesia gnômica, é repetido duas vezes, negativamente e positivamente. Esta consideração dos aspectos positivos e negativos da realidade faz voltar o pensamento para a perfeição. Há maldição para os auto-suficientes, que vêem nos meios humanos a sua segurança e bênção para quem confia no Senhor.

No texto da 2.ª Leitura, Paulo parte do seguinte princípio: se a nossa ressurreição não fosse possível, também não o seria a de Cristo, sendo ele homem como nós. Mas as consequências seriam trágicas; a fé seria vã, isto é, sem fundamento, sem objetivo; não se teria nenhuma segurança do perdão dos pecados e, portanto, da salvação, uma vez que a certeza sobre todas as coisas só vem da fé, fonte de esperança, a qual afirma: Cristo ressuscitou dos mortos.

Por fim, o texto do santo Evangelho, que é o chamado discurso da planície, assim chamado porque Jesus desce da montanha (condescendência divina) e se dirige aos discípulos. Eles serão felizes quando forem perseguidos por sua causa; terão assim a certeza de estarem no caminho certo; mas serão malditos quando todos falarem bem deles. A essa luz, os pobres, os famintos, os que choram são os que perderam tudo para serem fiéis ao Cristo; e os ricos são os que o renegaram escolhendo os bens deste mundo, inclusive a vida.

Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, o evangelho anuncia que a humanidade está radicalmente transformada. Nenhum homem pode entrar nesta novidade se não estiver vitalmente comprometido com tudo o que Cristo anunciou e fez. O batismo é apenas o primeiro passo de uma transformação progressiva que, na eucaristia, encontra seu ritmo. Nela o homem é lentamente libertado das falsas seguranças de uma mentalidade legalista para ser introduzido na criatividade de um amor que não conhece fronteiras. Pensemos nisso!

Deus Abençoe a todos!

Francisco Aparecido da Silva, CRSP.
e-mail: xicomineiro@yahoo.com.br


Sobre o Francisco:

- Professo simples da Congregação dos Padres Barnabitas.
- Formado em Filosofia pelo Centro de Estudos Superiores Sagrado Coração de Jesus da cidade de São José do Rio Preto - S.P.
- Formado em Teologia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino da cidade de Belo Horizonte - M.G.

 

OUTROS TEXTOS:

1º Domingo do Tempo do Advento - Domingo, 29 de Novembro de 2009
2º Domingo do Tempo do Advento - Domingo, 06 de Dezembro de 2009
3º Domingo do Tempo do Advento - Domingo, 13 de Dezembro de 2009
4º Domingo do Tempo do Advento - Domingo, 20 de Dezembro de 2009
Sagrada Família JESUS, MARIA E JOSÉ - Domingo, 27 de Dezembro de 2009
Epifania do Senhor - Domingo, 03 de Janeiro de 2010
Batismo do Senhor - Domingo, 10 de Janeiro de 2010
2º Domingo do Tempo Comum - Domingo, 17 de Janeiro de 2010
3º Domingo do Tempo Comum - Domingo, 24 de Janeiro de 2010
4º Domingo do Tempo Comum - Domingo, 31 de Janeiro de 2010
5º Domingo do Tempo Comum - Domingo, 07 de Fevereiro de 2010

 

 

Extras

   

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