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Coluna Boa Semente


8.º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Domingo, 25 de Maio de 2008

  

Introdução

Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, depois de quase 100 dias de celebrações, envolvendo: tempo quaresmal, semana santa e tempo pascal, voltamos a partir deste domingo, a celebrar o TEMPO COMUM.

E todas estas celebrações giram em torno de um único mistério: a morte e ressurreição de Jesus Cristo em sua plenitude.  No tempo comum, como nos demais tempos litúrgicos, damos continuidade à celebração desse mistério de Cristo. Em cada domingo, fazemos memória dos relatos da vida pública de Jesus. Celebrando diferentes acontecimentos narrados na Sagrada Escritura, vamos nos aproximando mais e mais do mistério do Amor de Deus pela humanidade.

Liturgia da Palavra

1.ª Leitura: Is 49,14-15.

Disse Sião: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!” Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti.

Salmo Responsorial Salmo 61
 
R.: Só em Deus a minha alma tem repouso, só ele é meu rochedo e salvação.

- Só em Deus a minha alma tem repouso, porque dele é que me vem a salvação! Só ele é
 meu rochedo e salvação, a fortaleza onde encontro segurança!

- Só em Deus a minha alma tem repouso, porque dele é que me vem a salvação! Só ele é
meu rochedo e salvação, a fortaleza, onde encontro segurança!

- A minha glória e salvação estão em Deus; o meu refúgio e rocha firme é o Senhor! Povo
todo, esperai sempre no Senhor, e abri diante dele o coração.
           
2.ª Leitura: 1Cor 4,1-5.

            Irmãos: Que todo o mundo nos considere como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. A este respeito, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis.
Quando a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por algum tribunal humano. Nem eu me julgo a mim mesmo. É verdade que minha consciência não me acusa de nada. Mas não é por isso que eu posso ser considerado justo. Quem me julga é o Senhor. Portanto, não queirais julgar antes do tempo. Aguardai que o Senhor venha. Ele iluminará o que estiver escondido nas trevas e manifestará os projetos dos corações. Então, cada um receberá de Deus o louvor que tiver merecido.

Evangelho: Mt 6,24-34.

            Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso?

E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé?

Portanto, não vos preocupeis, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir?’ Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso.

Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.

Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia bastam seus próprios problemas”.

PARTILHA:

            Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, a Liturgia da Palavra deste 8.º Domingo do Tempo Comum, é um convite para cada um de nós a continuarmos tendo sempre Confiança em Deus, seja nas alegrias ou tristezas que a vida vai nos oferecendo ao longo de nossa caminhada terrena.

            Pois a confiança em Deus é fundamental para a nossa vida de cristãos. Sem confiança em Deus não tem sentido ser cristão. Quando confiamos realmente em Deus é que podemos viver uma vida de amor. Quando confiamos em Deus conseguimos também ficar livres de seguir o pecado, não precisamos mais fazer tudo que nossa natureza humana, inclinada para o pecado, nos quer levar a fazer. A confiança em Deus, faz com que o Espírito Santo possa guiar nossa vida, para obedecermos à vontade de Deus e viver a vida que Deus deseja para nós.

           
Nesse sentido, chegamos à conclusão de que muitas vezes nos falta exatamente esta confiança, esta fé em Deus. Por que será que confiamos tão pouco em Deus? Vamos responder esta pergunta com uma outra, que irá nos ajudar a ter mais e confiança. Por que será que podemos confiar em Deus? Acima de qualquer coisa, se quisermos uma prova de que Deus é digno de ter toda a confiança é só olharmos o que ele fez para mostrar o seu amor por nós: Ele deu o seu próprio Filho Unigênito para podermos ser salvos. Já que toda a criação tinha sido posta em ruína pelo pecado, Ele redimiu e salvou toda a criação. Quer dizer, Deus fez com que seu Filho fizesse com que tudo pudesse novamente ser restaurado. E para quê? Para que nós, homens falhos e pecadores pudéssemos receber através de todas as coisas, a ajuda de Deus, sua Bênção e Salvação.

           
E para nos dar ainda maior certeza, Ele colocou seu Espírito Santo dentro de nós, pois por nós mesmos não conseguiríamos nem sequer rezar de forma correta. Diz o Apóstolo Paulo em Rm 8,26, que o Espírito nos assiste em nossa fraqueza, porque não sabemos rezar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inarticulados.

           
Podemos ainda confiar em Deus cegamente, até nas coisas mais sofridas, pois Ele assim nos prometeu. Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (cf.: Rm 8,28). Como no caso de Abraão, que nem sempre, ou quase nunca, sabia porque Deus fazia as coisas, mas confiava que Deus sabia o que fazia e iria fazer tudo bem feito, assim também nós podemos acreditar que os planos de Deus a nosso respeito são sempre os melhores. Muito melhores do que nós poderíamos querer ou imaginar. Pois devemos saber que Deus faz tudo para o nosso bem. Porque Ele assim nos prometeu. E nem sequer uma só palavrinha sua falhou até hoje. E jamais vai falhar. Pensemos nisso!
           
Informações sobre o Evangelista Mateus, nosso Guia para este Tempo Litúrgico

Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, neste ano de 2008, a Igreja o dedica ao chamado Ano Litúrgico A. As meditações deste referido ano litúrgico se pautarão no Evangelho de São Mateus. Isto quando estivermos celebrando o chamado Tempo Comum, que recomeça a partir deste domingo, com o 8.º Domingo do Tempo Comum.

Este Evangelho, transmitido em grego pela Igreja, deve ter sido escrito originariamente em aramaico, a língua falada por Jesus. O texto atual reflete tradições hebraicas, mas ao mesmo tempo, testemunha uma redação grega. O vocabulário e as tradições fazem pensar em crentes ligados ao ambiente judaico; apesar disso, não se pode afirmar que sua origem era palestinense. Geralmente pensa-se que foi escrito na Síria, talvez em Antioquia ou na Fenícia, onde viviam muitos judeus, por deixar entrever uma polêmica declarada contra o judaísmo farisaico. Atendendo a elementos internos e externos ao livro, o atual texto pode datar-se dos anos 80-90 d.C., ou seja, algum tempo após a destruição de Jerusalém.

Autor:
Do seu autor, este livro nada diz; mas a mais antiga tradição eclesiástica atribui-o ao Apóstolo Mateus, um dos doze, identificado como Levi, cobrador de impostos (cf.: Mt 9,9-13; 10,3). Pelo conhecimento que mostra das Escrituras e das tradições judaicas, pela força interpelativa da mensagem sobre os chefes religiosos do seu povo, pelo perfil de Jesus apresentado como Mestre. O autor deste Evangelho era, com certeza, um letrado judeu tornado cristão, um mestre na arte de ensinar e de fazer compreender o mistério do Reino do Céu, o tesouro da Boa-Nova anunciada por Jesus, o Messias, o Filho de Deus.

Composição literária:
Recorre a fontes comuns: Q (Quelle, termo alemão que significa fonte) e Mc, mas apresenta uma narração muito diferente, quer pela amplitude dos elementos próprios, quer pela liberdade com que trata materiais comuns. O conhecimento dos processos e os modos próprios de escrever de Mateus são de grande importância para a compreensão do livro atual: compilação de palavras e de fatos, de discursos e de milagres; recurso a certos números (7, 3, 2); paralelismo sinonímico e antitético; estilo hierático e catequético; citações da Escritura, etc.

Divisão e conteúdo:
Apesar dos característicos agrupamentos de narrações, não é fácil determinar o plano ou estabelecer as grandes divisões do livro. Dos tipos de distribuição propostos pelos críticos, podemos referir três:

1.º) Segundo o plano geográfico:
O ministério de Jesus na Galiléia (cf.: Mt 4,12b-13), a sua atividade nas regiões limítrofes da Galiléia e a caminho de Jerusalém (cf.: Mt 14,1-20), ensinamentos, Paixão, Morte e Ressurreição em Jerusalém (cf.: Mt 21,1-28).

2.º) Segundo os cinco “discursos”:
Subordinando estes a outras narrações: resulta daí um destaque para a dimensão doutrinal e histórica da existência cristã.

3.º)
Segundo o objetivo de referir o drama da existência de Jesus: Mateus apresenta o Messias em quem o povo judeu recusa acreditar (cf.: Mt 3,1-13) e que, percorrendo o caminho da cruz, chega à glória da Ressurreição (cf.: Mt 14-28).

Aqui limitamo-nos a destacar:


I) Evangelho da Infância de Jesus: Mt 1,1-2,23.

II) Anúncio do Reino do Céu: Mt 3,1-25,46.
III) Paixão e Ressurreição de Jesus: Mt 26,1-28,20.

Teologia:
Escrevendo entre judeus e para judeus, Mateus procura mostrar como na pessoa e na obra de Jesus se cumpriram as Escrituras, que falavam profeticamente da vinda do Messias. A partir do exemplo do Senhor, reflete a praxe eclesial de explicar o mistério messiânico mediante o recurso aos textos da Escritura e de interpretar a Escritura à luz de Cristo. Essa característica marcante contribui para compreender o significado do cumprimento da Lei e dos Profetas: Cristo realiza as Escrituras, não só cumprindo o que elas anunciam, mas aperfeiçoando o que elas significam (cf.: Mt 5,17-20). Assim, os textos da Escritura neste Evangelho confirmam a fidelidade aos desígnios divinos e, simultaneamente, a novidade da Aliança em Cristo.

Nele ressaltam cinco blocos de palavras ou discursos de Jesus: Mt 5,1-7; 8,1-10; 11,1-13; 13,53-18,35; 19,1-25. Ocupam um importante lugar na trama do livro, tendo a encerrá-los as mesmas palavras (cf.: Mt 7,28), e apresentam sucessivamente: a justiça do Reino (cf.: Mt 5-7), os arautos do Reino (cf.: Mt 10), os mistérios do Reino (cf.: Mt 13), os filhos do Reino (cf.: Mt 18) e a necessária vigilância na expectativa da manifestação última do Reino (cf.: Mt 24-25).

Desde o século II, o Evangelho de Mateus foi considerado como o Evangelho da Igreja, em virtude das tradições que lhe dizem respeito e da riqueza e ordenação do seu conteúdo, que o tornavam privilegiado na catequese e na liturgia. O Reino proclamado por Jesus como juízo iminente é, antes de tudo, presença misteriosa de salvação já atuante no mundo. Na sua condição de peregrina, a Igreja é o verdadeiro Israel, onde o discípulo é convidado à conversão e à missão, lugar de tensão ética e penitência, mas também realidade sacramental e presença de salvação. Identificando a Igreja com o Reino do Céu, Mateus continua hoje a recordar-lhe o seu verdadeiro rosto: uma instituição necessária e uma comunidade provisória, na perspectiva do Reino de Deus.

Como os outros Evangelhos, o de Mateus refere à vida e os ensinamentos de Jesus, mas de um modo próprio, explicitando a cristologia primitiva: em Jesus de Nazaré cumprem-se as profecias; Ele é o Salvador esperado, o Emanuel, o Deus Conosco (cf.: Mt 1,23) até à consumação da História (cf.: Mt 28,20); é o Mestre por excelência que ensina com autoridade e interpreta o que a Lei e os Profetas afirmam acerca do Reino do Céu (= Reino de Deus); é o Messias, no qual converge o passado, o presente e o futuro e que, inaugurando o Reino de Deus, investe a comunidade dos discípulos – a Igreja – do seu poder salvífico.

Assim, durante todo este ano de 2008, estudando e meditando sobre os escritos de Mateus, nosso Guia durante este Ano Litúrgico, perceberemos que no coração deste Evangelho o discípulo descobre Cristo Ressuscitado, identificado como Jesus de Nazaré, o Filho de David e o Messias esperado, vivo e presente na comunidade eclesial.

Deus Abençoe a todos!

Ir. Francisco Aparecido da Silva, CRSP.
e-mail: xicomineiro@yahoo.com.br


Sobre o Ir. Francisco:

- Professo simples da Congregação dos Padres Barnabitas.
- Formado em Filosofia pelo Centro de Estudos Superiores Sagrado Coração de Jesus da cidade de São José do Rio Preto - S.P.
- Formado em Teologia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino da cidade de Belo Horizonte - M.G.
- Atualmente está se preparando para ingressar no Mestrado em Teologia (estudos Bíblicos) pela Faculdade Nossa Senhora da Assunção da cidade de São Paulo - S.P.

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OUTROS TEXTOS:

6.º DOMINGO DA PÁSCOA - Domingo, 27 de Abril de 2008
ASCENSÃO DO SENHOR - Domingo, 04 de Maio de 2008

DOMINGO DE PENTECOSTES - Domingo, 11 de Maio de 2008 – Dia das Mães
SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE - Domingo, 18 de Maio de 2008

 

 

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