| Coluna Boa Semente
10.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Domingo, 08 de Junho de 2008
Introdução
Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, a Liturgia da Palavra deste domingo, novamente nos apresenta uma maravilhosa seleção de textos sagrados, através dos quais, Deus revela-se, acima de tudo como amor, misericórdia e perdão. Enquanto nós homens procuramos todos os meios e razões para lutar, incriminar e condenar os outros, Deus em sua bondade infinita, procura todos os meios e razões possíveis para justificar, perdoar e salvar todos os filhos seus.
Liturgia da Palavra
1.ª Leitura: Os 6,3-6.
É preciso saber segui-lo para reconhecer o Senhor. Certa como a aurora é a sua vinda, ele virá até nós como as primeiras chuvas, como as chuvas tardias que regam o solo. Como vou tratar-te, Efraim? Como vou tratar-te, Judá? O vosso amor é como nuvem pela manhã, como orvalho que cedo se desfaz. Eu os desbastei por meio dos profetas, arrasei-os com as palavras de minha boca, como luz, expandem-se meus juízos; quero amor, e não sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que holocaustos.
Salmo Responsorial – Salmo 49(50).
R.: A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
- Falou o Senhor Deus, chamou a terra, do sol nascente ao sol poente a convocou. “Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos.”
- Não te diria se com fome eu estivesse, porque é meu o universo e todo ser. Porventura, comerei carnes de touros? Beberei, acaso, o sangue de carneiros?
- Imola a Deus um sacrifício de louvor e cumpre os votos que fizeste ao altíssimo; invoca-me no dia da angústia e, então, te livrarei e hás de louvar-me”.
2.ª Leitura: Rm 4,18-25.
Irmãos: Abraão, contra toda a humana esperança, firmou-se na esperança e na fé. Assim, tornou-se pai de muitos povos, conforme lhe fora dito: “Assim será a tua posteridade”. Não fraquejou na fé, à vista de seu físico desfigurado pela idade - cerca de cem anos – ou considerando o útero de Sara já incapaz de conceber. Diante da promessa divina, não duvidou por falta de fé, mas revigorou-se na fé e deu glória a Deus, convencido de que Deus tem poder para cumprir o que prometeu. Esta sua atitude de fé lhe foi creditada como justiça. Afirmando que a fé lhe foi creditada como justiça, a escritura visa não só à pessoa de Abraão, mas também a nós, pois a fé será creditada também para nós que cremos naquele que ressuscitou dos mortos Jesus, nosso Senhor. Ele, Jesus, foi entregue por causa de nossos pecados e foi ressuscitado para nossa justificação.
Evangelho: Mt 9,9-13.
Naquele tempo, partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus. Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.
PARTILHA:
Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, na 1.ª Leitura deste 10.º Domingo do Tempo Comum, o profeta Oséias demonstra duas coisas: a) que o amor de Deus é certo, seguro, fecundo como a chuva da primavera, que faz brotar a vida por onde passa. Onde o amor de Deus é aceito e acolhido, tudo se transforma, renasce e se renova; b) que o amor e a fidelidade do homem são sempre frágil, superficial, passageiro como o orvalho da manhã que se desfaz rapidamente, antes mesmo de fecundar e fazer brotar a vida.
Neste sentido, o profeta Oséias salienta que para haver um retorno do povo para Deus, não basta o perdão Dele; não é suficiente a garantia do amor de Deus. É indispensável também o esforço humano sincero, sem o qual, o amor de Deus não pode fecundar nossos corações e produzir frutos em nós.
Porém, quando Deus nos permite um sofrimento, uma cruz, perseguição ou morte, isto não significa que Ele deixou de nos amar, mas porque é a partir daí que Ele fará renascer em nós a vida, a esperança e a alegria. Porque quando o nosso interior é transformado pelo amor de Deus, também o nosso exterior muda, se transforma.
Na 2.ª Leitura, o Apóstolo Paulo, depois de ter acentuado que aquilo que sobra é a fé em Jesus e não as obras da lei, nos propõe Abraão como modelo a ser seguido em nosso caminho de fé. Do ponto de vista humano, todas as promessas que lhe havia feito eram absurdas. E Abraão tinha consciência de tudo isso, mas esperou e confiou que Deus haveria de cumprir tudo quanto havia prometido.
Por esta sua fé inabalável, ele viu as promessas de Deus realizadas, encontrou a salvação e tornou-se modelo perene da verdadeira fé. Do mesmo modo, diz o Apóstolo, se nossa confiança em Deus e nossa fé em Jesus forem realmente inabaláveis, também nós veremos todas as promessas de Deus realizadas, por mais absurdas que elas possam parecer do ponto de vista humano.
Finalmente, no Evangelho, o chamado de Mateus, mostra a grandeza do amor e da misericórdia de Deus, que repudia o pecado, mas ama profundamente a pessoa do pecador, Jesus o chama para ser seu discípulo. Mateus certamente tinha consciência de sua condição de pecador, mas ao sentir o toque da graça e do amor de Deus manifesto em Jesus, imediatamente deixou tudo, converteu-se e seguiu o Senhor.
Os fariseus criticavam duramente Jesus por ter escolhido um pecador como Mateus para ser seu discípulo, mas Jesus insiste em convencê-los de que no plano do Pai, todos estão incluídos, também os pecadores. O Pai deseja que todos se salvem e que entre os necessitados de salvação, os pecadores são os primeiros a quem Ele oferece a oportunidade. Aos fariseus que eram legalistas e viviam um formalismo religioso, sem convicção alguma, Jesus diz: compreendam que o que Deus quer é amor, misericórdia e não a frieza e o vazio dos sacrifícios e holocaustos.
Neste sentido, Jesus confirma que o culto, a oração e todas as demais práticas da nossa fé, não possuem valor algum, se não nos levam a amar mais e melhor a Deus na pessoa do próximo. É nosso amor a Deus, expresso concretamente na caridade para com o próximo que dará peso e qualidade à nossa oração e demais práticas religiosas.
Devemos julgar o próximo com o critério do Amor. Este critério serve também para julgar a nossa própria espiritualidade. O próximo deve sempre ser digno de nosso Amor. Amor que pode ser de gratidão pelo bem que do próximo temos recebido, mas também amor misericordioso porque ele está necessitado ou impotente. Finalmente amor de perdão, porque com o inimigo está a falta desse amor que em nós ele poderá encontrar.
Daí que o seguimento de Cristo não deve medir-se pelo estado de bem-estar que produz, mas pelo muito ou pouco que temos deixado para segui-lo. Mateus, homem de letras e de posses, abandonou muito mais do que a maioria dos doze para se tornar discípulo de um mestre incipiente e não muito distinguido entre os entendidos doutores da época.
O fato de Jesus comparar seu ministério com o do médico que cura os doentes, nos anima a recorrer a Ele tanto mais quanto piores sejam nossos pecados aos quais podemos chamar de enfermidades do espírito.
Por fim, o critério com o qual devemos medir nossa religiosidade é a misericórdia com a qual tratamos as necessidades e carências do próximo. Orações e sacrifícios serão tanto mais avaliados quanto mais acompanhados desse amor aos necessitados.
Jesus veio acima de tudo para os pecadores. Esta é a nossa esperança e a nossa alegria. Sejamos sempre misericordiosos para com a pessoa do próximo e Deus o será para conosco. Sejamos sempre abertos à ação da graça para que ela nos transforme, fazendo-nos verdadeiros discípulos de Jesus e colaboradores da sua obra salvífica. Pensemos nisso!
Deus Abençoe a todos!
Ir. Francisco Aparecido da Silva, CRSP.
e-mail: xicomineiro@yahoo.com.br
Sobre o Ir. Francisco:
- Professo simples da Congregação dos Padres Barnabitas.
- Formado em Filosofia pelo Centro de Estudos Superiores Sagrado Coração de Jesus da cidade de São José do Rio Preto - S.P.
- Formado em Teologia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino da cidade de Belo Horizonte - M.G.
- Atualmente está se preparando para ingressar no Mestrado em Teologia (estudos Bíblicos) pela Faculdade Nossa Senhora da Assunção da cidade de São Paulo - S.P.
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