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Coluna Boa Semente


11.º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Domingo, 15 de Junho de 2008

  

Introdução

Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, na Liturgia da Palavra deste domingo, Jesus nos ajuda a compreender que sua missão continua na vida e obra de sua Igreja. Pois através dela, Ele mesmo vai ao encontro de todos os pecadores espalhados pelo mundo e que esperam um pequeno sinal de misericórdia para retornarem ao Amor de Deus.

Analisando a Palavra de Deus deste 11.º  Domingo do Tempo Comum, descobrimos e entendemos que desde o início da história da salvação, ele quis que o homem fosse seu colaborador. Este é o ponto de partida de todo chamado e de toda missão na Igreja. Independentemente do tipo de serviço ou atividade para a qual Deus nos chamou, tudo concorre para o mesmo fim: prolongar no tempo e no espaço a ação salvífica de Deus.

Sabemos que ao longo da História da Salvação, desde o começo até o fim, Cristo domina o tema. Por isso, desde as primeiras páginas da Bíblia, notamos que elas já prenunciam o Salvador.
Para isso, necessitamos de uma interpretação e compreensão, em profundidade, e unidade. O que nos fará compreender esta História da Salvação será vivê-la, individual e comunitariamente, como povo de Deus. Nesse sentido somos nós que damos vida à Palavra de Deus. A Palavra é eficaz quando se grava no coração e é posta em prática.

Olhando sob este prisma, seguiremos passo a passo a história do povo de Israel que nos precedeu na marcha e no encontro com Cristo. Nosso propósito é caminhar com o povo eleito estudando e meditando os caminhos de Deus.

Liturgia da Palavra

1.ª Leitura: Ex 19,2-6.

Naqueles dias, os israelitas, partindo de Rafidim, chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam. Israel armou ali suas tendas, defronte da montanha. Moisés, então, subiu ao encontro de Deus. O Senhor chamou-o do alto da montanha, e disse: “Assim deverás falar à casa de Jacó e anunciar aos filhos de Israel: Vistes o que fiz aos egípcios, e como vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim.

Portanto, se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim a porção escolhida dentre todos os povos, porque minha é toda a terra. E vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.”

Salmo Responsorial Salmo 99(100).

R.: Nós somos o povo e o rebanho do Senhor.

- Aclamai o Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, ide a ele cantando jubilosos!

- Sabei que o Senhor, só ele é Deus, ele mesmo nos fez e somos seus, nós somos seu povo e seu rebanho.

- Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, sua bondade perdura para sempre, seu amor é fiel eternamente!

2.ª Leitura: Rm 5,6-11.

Irmãos: Quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. Muito mais agora, que já estamos justificados pelo sangue de Cristo, seremos salvos da ira por ele. Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho; quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida! Ainda mais, nós nos gloriamos em Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. É por ele que, já desde o tempo presente, recebemos a reconciliação.

Evangelho: Mt 9,36-10,8.

Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. Jesus enviou estes doze, com as seguintes recomendações: “Não deveis ir a onde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! Em vosso caminho, anunciai: ‘O reino dos céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!

PARTILHA:

Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, na 1.ª  Leitura, vemos que o trecho escolhido do livro do Êxodo para este domingo, nos apresenta o prólogo da aliança entre Deus e seu povo. Temos aqui uma imagem que certamente nos ajuda a compreender a missão e a vocação da Igreja e de cada um dos cristãos.

A Igreja é o novo povo de Deus. Em Jesus, o Filho Salvador. Aí que a Igreja foi escolhida, preparada e enviada para colaborar com Deus na obra da salvação. Ela é a verdadeira nação santa e o verdadeiro reino de sacerdotes. Ela é a nova e definitiva mediadora entre Deus e os homens. E, assim o é, não por si mesma, mas desejo e ordem do próprio Senhor, que continua vivo, presente e atuante em sua história. Portanto, somos nós os batizados, membros da Igreja de Jesus, os novos colaboradores de Deus na obra da salvação de todos os demais filhos dispersos de Deus. Esta é a nossa missão e vocação.

Na 2.ª Leitura, o Apóstolo Paulo traz uma resposta para aqueles que mesmo sentindo-se chamados, não respondem por falta de coragem ou por se julgarem indignos e incapazes daquilo que Deus lhes pede.

Portanto, se alguém sentir-se chamado para qualquer vocação ou missão dentro da Igreja, não deve intimidar-se com suas fraquezas e limitações, mas abrir-se ao amor infinito de Deus, manifesto em Jesus e deixar que o mesmo Deus que nos escolheu e chamou, transforme nossas fraquezas em forças; purifique nossos corações de nossos pecados; ajude-nos a superar nossas limitações e em nós realize suas grandes maravilhas. Quem acolhe o chamado e abre-se ao amor de Deus, verá que nada lhe será impossível.

Por fim, no Evangelho, Jesus nos faz pensar na urgência da nossa resposta ao chamado de Deus. A grande multidão dos filhos dele espalhados pelo mundo, está cansada e abatida como ovelhas sem pastor. Por isso é necessário pedir incessantemente ao Senhor da messe para que envie operários; que suscite na Igreja corações generosos, dispostos a uma vida de total doação e entrega. Assim, o Senhor nos mostra e confirma que toda vocação é Dom do alto. É o Senhor que suscita no coração de seus filhos o desejo e a coragem para servi-lo na pessoa do próximo. Pelo fato de ser um dom de Deus, toda vocação corresponde a uma missão, pois todo Dom do alto nos é dado para o bem comum. São vários os dons, carismas, atividades e serviços, mas tudo procede do mesmo e único Deus e destina-se ao mesmo e único fim: o bem comum.

Portanto, ter recebido o dom ainda não é tudo. Faz-se necessária uma grande dose de humildade e generosidade para fazer frutificar este dom segundo o projeto de Deus. E através daquele que chama, Jesus continua eliminando do meio dos homens tudo aquilo que significa impedimento para o crescimento do reino. Todos os que acolheram o chamado, nunca podem esquecer que são continuadores da missão de Jesus. Por isso que nenhum vocacionado pode fazer somente aquilo que lhe agrada, mas ser obediente e fiel ao que o Senhor lhe pede e manda.

Minhas queridas irmãs e meus queridos irmãos, contextualizando as três leituras para a nossa realidade, chegamos à conclusão que o acreditar na Salvação por intermédio de Cristo Jesus é a resposta da comunidade de crentes à livre eleição amorosa de Deus, que nos chamou para sermos santos e imaculados em sua presença no amor, tornando-nos participantes da Natureza Divina pela ação do Espírito Santo, que reproduz em nós a imagem de Cristo e vai instaurando todas as coisas Nele. Para louvor e glória do Pai.

O povo de Israel foi chamado a transformar-se em Cristo. Chegada à plenitude dos tempos, o Espírito Santo nos revelou que fomos predestinados para reproduzir a imagem do Filho de Deus, da mesma forma que o povo eleito.

Sabemos que a vinda do Filho de Deus ao mundo foi precedida por uma contínua e progressiva preparação para o seu nascimento humano no seio da Virgem Maria. Esse processo no tempo é a História da Salvação, é nossa história pessoal.

Há uma característica peculiar na História da Salvação que não está escrita na Bíblia nem se pode generalizar. Trata-se do matiz que cada uma de nós imprime a esta grandiosa História que continua e evolui. Deus confiou a nós sua redação. Cada qual lhe dará um toque especial que a alterará de alguma forma. A História da Salvação não pode ficar indiferente diante de nossa passagem por esta vida; página gloriosa de generosidade ou de tibieza de nossa resposta ao amor de Deus. Trigo ou joio é a página que nos cabe escrever. Pensemos nisso!

Deus Abençoe a todos!

Ir. Francisco Aparecido da Silva, CRSP.
e-mail: xicomineiro@yahoo.com.br


Sobre o Ir. Francisco:

- Professo simples da Congregação dos Padres Barnabitas.
- Formado em Filosofia pelo Centro de Estudos Superiores Sagrado Coração de Jesus da cidade de São José do Rio Preto - S.P.
- Formado em Teologia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino da cidade de Belo Horizonte - M.G.
- Atualmente está se preparando para ingressar no Mestrado em Teologia (estudos Bíblicos) pela Faculdade Nossa Senhora da Assunção da cidade de São Paulo - S.P.

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