Carnaval e a Igreja

 

Em toda parte fala-se sobre Carnaval. Durante vários dias nos jornais, na televisão, nas rádios e nas propagandas comerciais, fomos advertidos de que o Carnaval se aproxima.

Os festejos carnavalescos têm remota e obscura origem eclesiástica. Os dias do Carnaval antecedem sempre o início da Quaresma e terminam (quando terminam!) com as cinzas da quarta-feira, este ano no dia 17 de fevereiro. O Carnaval tornou-se um curto período de divertimento mais intenso, porque logo após estes poucos dias, segue a santa quaresma. Durante os quarenta dias da quaresma, os católicos deveriam, mais do que em outras épocas do ano, fazer penitência através do jejum e da oração em preparação para a festa da Páscoa, a maior festa do ano litúrgico.

Curiosamente, enquanto enormes multidões participam do Carnaval, milhares se afastam em busca de ambientes mais calmos e serenos. Alguns procuram muita alegria, fortes emoções e animado divertimento nas músicas, danças e brincadeiras agitadas do Carnaval nos clubes e nas ruas. Muitos católicos se dirigem aos retiros espirituais ou ambientes pacatos tentando também encontrar alegria, paz, contentamento e satisfação. Um considerável número de pessoas acredita que a Igreja é contra o Carnaval e o condena. Isso simplesmente não é a verdade. A Igreja Católica não é contra o Carnaval, mas é contra certos os excessos cometidos durante o Carnaval. A Igreja Católica quer ver seus fieis felizes e contentes, compreendendo que o descanso e o repouso são necessários para a pessoa humana. Ninguém é de ferro e todo ser humano precisa intercalar o trabalho com o descanso e com o divertimento. A descontração na vida de um povo sofrido é necessária. Porém, há formas nobres, simples e sadias de lazer. Elas irradiam a alegria autêntica que refaz as forças do corpo e aumente as energias do espírito.

O problema é que nos dias de Carnaval há muitos divertimentos desenfreados. Muitas pessoas se entregam ao prazer desordenadamente. Há excessos na bebida alcoolica, há grande falta de pudor e imoralidade de diversos tipos. Devido aos excessos e desregramentos cometidos durante o carnaval há um elevado número de mortes, graves acidentes e pessoas agredidas fisicamente, para não falar em agressões morais. É importante para o Católico lembrar que todo divertimento que implica atos obscenos, prazeres ilícitos, paixões desordenados, atitudes vulgares, riscos mortais e violência são imorais. O mundo está perdendo o sentido do pecado e é necessário reafirmar que a Lei de Deus não fica suspensa durante o Carnaval.

Por isso, o católico deve se aproveitar dos divertimentos carnavalescos que são sadias, benéficos, equilibrados e, em termos gerais, úteis para a saúde do corpo e da mente. O Carnaval nunca deve ser tal que se devesse ter mais tarde vergonha da conduta tida durante estes dias. Portanto, que haja neste ano um bom e animado carnaval, sem exagero na bebida alcoólica, sem violência e sem imoralidades.

Que o Carnaval deste ano seja uma folia que não afaste pessoas de Deus ou do próximo, mas sim dias de distensão sadia.


Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald
Redentorista e Professor Titular aposentado da UFC

 

 

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