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Um SIM que ecoa e transforma

 

 

O mês de maio é tradicionalmente conhecido como o mês de Maria. É um tempo propício para refletirmos acerca dessa figura feminina que revolucionou a história da humanidade, sempre aberta à escuta do Criador: na solicitude e na prontidão do serviço, contribuiu de maneira extraordinária no plano da Salvação.

O Sim de Maria deve ser compreendido na ótica da humildade. Temos as palavras de Lucas: “Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra (cf.: Lc 1,38), o que denota claramente uma adesão ao Plano de Deus, o que podemos caracterizar como uma disponibilidade perfeita à vontade de Deus. Nesse sentido, podemos afirmar com toda a convicção que Maria é o modelo perfeito do que deve ser nossa atitude e nossa resposta ao chamado de Deus.                      

Maria fala com sua santidade, não apenas com palavras. Demonstra a verdade e a eficácia da Palavra na sua vida. Ela continua a ser todos os dias a Senhora da epifania para o mundo e, simultaneamente é a Virgem da anunciação que, ao responder seu Fiat dá a vida ao Verbo divino. 

Numa sociedada espoliada e marginalizada, o Doc. Vaticano II ensina que Maria sobressai entre os humildes e pobres do Senhor, que confiantemente esperam e recebem Dele a salvação (cf.: LG 55). A Virgem viveu a marginalização social da mulher de sua época, exercendo todas as atividades domésticas que uma mulher de nossos tempos desempenha: lavar, coser, e cuidar da família, porém sempre atenta à escuta da Palavra. Temos aqui a grande riqueza de Maria: acolhe e medita a palavra de Deus em seu coração (cf.: Lc 2,51). Entretanto, Maria compreendeu que o ato de meditar a palavra de Deus só tem sentido pleno na existência à medida que é transformador, quando não conseguimos ultrapassar esses limites, nossa vida e nosso apostolado correm o risco de tornar-se infecundos e até mesmo alienantes. Com Maria somos convictos de que nossa espiritualidade deve ser transformada em ação. Uma atitude que gere vida e vida em abundância (cf.: Jo,10,10).

Maria, a mãe da humanidade deve ser compreendida pela ótica da humildade e do serviço. Ser serva significa ser solícita e atenta para com as necessidades que oprimem aqueles que, de uma forma ou de outra necessitam de algo. O fato de ser serva em nada diminui sua dignidade, pois não colabora como escrava submissa, mas como mulher plenamente livre que confia em Deus incondicionalmente.
A atitude de Maria que vai ao encontro deve ser o elemento fomentador de nossa ação e a base de sustentação de nossa prática evangélica. O ir ao encontro é  atitude do discípulo e da discípula que, sensíveis aos sinais dos tempos são capazes de partilhar com os menos favorecidos os bens que possuem.

Maria foi aquela que mais estreitamente seguiu Jesus em sua vida íntima. É assim considerada a “primeira e mais perfeita discípula de Cristo” (cf.: Paulo VI, “Marialis Cultus”, 35), o que tem valor universal e permanente.

A própria Igreja a propõe como exemplo dos que abraçam ao seguimento de Cristo. Sua palavra nos situa diante de Jesus, que como toda boa mãe percebe a necessidade do filho e procura todos os meios possíveis para prover-lhe todos os bens, a exemplo das bodas de Caná que, não podendo solucionar por si mesma, recorre ao seu Filho e diz: “não tem mais vinho” (cf.: Jo 2,3). A resposta desconcertante de Jesus e a ação de Maria: “fazei o que ele vos disser” (cf.: Jo 2,5) nos revelam sua fé, seu amor e profunda intimidade com os sentimentos de Jesus.   

Maria é pois a imagem e protótipo da Igreja, não só em seu aspecto de maternidade e virgindade, mas também por sua ação de mestra de nossa vida, tornando-se assim modelo da Igreja evangelizante. Seu exemplo de vida deve despertar em nós atitudes de disposições favoráveis à ação. Trata-se de algo mais íntimo e profundo, não meramente uma contemplação de  suas virtudes.

Em sua vida terrena Maria realizou a perfeita imagem do discípulo de Cristo, espelho de todas as virtudes. Com ela, caminhamos na certeza de que não estamos abandonados em meio às intempéries da vida, mas contamos com a sua proteção maternal que nos conduz até o seu filho Jesus. Que Maria nos ensine a ser discípulos e discípulas de Cristo, fonte e razão de nossa existência. 



Maciel Pereira de Azevedo, CRSP.

Estudante do 2º ano de Teologia.
E-mail: macielpazevedo@yahoo.com.br

 

 

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