Primeira urgência: Igreja em estado permanente de missão

76. A consciência missionária “deve impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais, a ponto de deixar para trás práticas, costumes e estruturas que, por corresponderem a outros momentos históricos, atualmente já não favorecem a transmissão da fé. O que derruba as estruturas caducas, o que leva a mudar os corações dos cristãos, é justamente a missionariedade” (DGAE 2016-2019, 40).

77. “Cada Igreja particular, porção da Igreja Católica sob a guia do seu Bispo, está, também ela, chamada à conversão missionária... A sua alegria de comunicar Jesus Cristo exprime-se tanto na sua preocupação por anunciá-Lo noutros lugares mais necessitados, como numa constante saída para as periferias do seu território ou para os novos âmbitos socioculturais. Procura estar sempre onde fazem mais falta a luz e a vida do Ressuscitado. Para que este impulso missionário seja cada vez mais intenso, generoso e fecundo, exorto também cada uma das Igrejas particulares a entrar decididamente num processo de discernimento, purificação e reforma” (EG 30).

78. A dimensão missionária não é, portanto, mais uma realidade a ser trabalhada, mas é a exigência que deve estar presente em tudo o que se faz. As iniciativas, preocupações e programas pastorais devem estar impregnados pelo anseio e o compromisso de anunciar Jesus Cristo!

79. Indicações Pastorais 

  1. Cada “sujeito eclesial” (ministros ordenados, religiosos, cristãos leigos, comunidades, paróquias, pastorais, movimentos, grupos e organismos eclesiais) deve localizar quais os grupos, pessoas ou categorias sociais que merecem atenção especial, para lhes dar prioridade no trabalho de evangelização (cf. DGAE 2016-2019, 75). É preciso ir ao encontro deles, em todos os ambientes. Esta “atenção especial” pode se concretizar na formação de associações de fiéis por categorias profissionais, na criação de comunidades ambientais, ações concretas de solidariedade junto às pessoas que estão em situação de privação de liberdade, com pessoas em situação de rua, adolescentes em conflito com a lei, migrantes, refugiados etc.
  2. Missões populares, com períodos de forte envolvimento dos agentes de pastoral durante o ano, visando ambientes, áreas e grupos, para um anúncio claro da pessoa, da mensagem e da redenção de Cristo e da alegria de ter fé e de ser parte da Igreja.
  3. Visitas domiciliares e a outros ambientes, com o anúncio explícito do Evangelho, o convite para a participação na vida das comunidades eclesiais. Atenção especial deve ser dada aos bairros onde se verifica grande concentração de imigrantes.
  4. Ação ecumênica, através de momentos de oração em comum, ação social, estudos bíblicos e teológicos, valorizando a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos; ao mesmo tempo, promover iniciativas com outras Igrejas cristãs, como a Campanha da Fraternidade Ecumênica, tendo em vista os valores evangélicos da fraternidade, da reconciliação e da paz entre “os homens e mulheres de boa vontade”.
  5. Diálogo inter-religioso, para “o encontro fraterno e respeitoso com os seguidores de religiões não cristãs e com todas as pessoas empenhadas na busca da justiça e na construção da fraternidade universal. Especial atenção merece o diálogo com os judeus e os muçulmanos, irmãos de fé no Deus Uno; com as expressões religiosas dos afrodescendentes e indígenas, assim como com os ateus” (DGAE 2016-2019, 80). Com esses grupos, podem-se organizar trabalhos em conjunto pela defesa da vida humana e do meio ambiente, sem perder a identidade da própria fé.
  6. Envolvimento das congregações religiosas masculinas e femininas nas iniciativas missionárias realizadas nas paróquias e promovidas pela Arquidiocese.
  7. Missão “ad gentes”, oferecendo colaboração missionária através do envio missionário de agentes e disponibilização de recursos às regiões do mundo onde a presença dos cristãos é pequena, ou onde a realidade exige uma ação missionária mais determinada. Neste sentido, realizar o “mês missionário” (outubro), com a coleta para as missões.
  8. Organização de grupos missionários jovens, de leigos e de profissionais voluntários em áreas e regiões de missões.
  9. Confecção e distribuição de folhetos querigmáticos e com orações e passagens bíblicas, para os presídios situados no âmbito paroquial, bem como para os doentes nos hospitais e nas casas.
  10.  Formação dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão (MESC) com maior especificidade para sua missão de levar a Palavra de Deus e a Sagrada Comunhão para enfermos, fortalecendo-os na fé.
  11. Realizar, em 2018, a celebração do Ano do Laicato para comemorar os 30 anos do Sínodo Extraordinário sobre os Leigos (1987) e da Exortação Apostólica Christifideles Laici (João Paulo II). O objetivo dessa celebração é ajudar os cristãos leigos e leigas a se tornarem, a partir de sua conversão pessoal, agentes transformadores da realidade (cf. Doc. CNBB 105,243).
  12. Iniciar, durante o período de vigência deste Plano de Pastoral, um processo de Sínodo Arquidiocesano com a finalidade de promover a avaliação, a conversão pastoral e missionária das estruturas, instituições, pastorais, paróquias e dos próprios fiéis de nossa Arquidiocese.