Sexta urgência –Igreja: família de famílias

102. Recentemente a Igreja dedicou à família a celebração de dois Sínodos. A nova evangelização não pode se realizar sem um novo pacto entre a Igreja e a família. Nesse sentido, a Arquidiocese de São Paulo deseja receber criativamente a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, que estimula “a apreciar os dons do matrimônio e da família e encoraja todos os fiéis a serem sinais de misericórdia e proximidade para a vida familiar, onde esta não se realize perfeitamente ou não se desenrole em paz e alegria (AL 5).

103. A Igreja é família de famílias, e nossa Arquidiocese é constantemente enriquecida pela vida de todas as suas “Igrejas domésticas”. Cada família é, portanto, um bem precioso para a Igreja que está em São Paulo. Há uma fecunda “reciprocidade entre família e Igreja: esta é um bem para a família e a família é um bem para a Igreja. A salvaguarda deste dom sacramental do Senhor compete não só à família individual, mas a toda a comunidade cristã” (AL 87).

104. Cuidar da família é concretamente cuidar de tudo o que a constitui: o casal unido pelo vínculo matrimonial, as crianças, os adolescentes, os jovens e os anciãos. Nesse sentido, as pessoas – sejam elas jovens ou idosas – serão mais eficazmente alcançadas pela evangelização se esta atingir o ambiente em que se sentem mais à vontade: o seu lar. A família cristã é parceira privilegiada da evangelização porque é em si mesma uma concretização da Boa Nova na vida das pessoas.

105. A “alegria do amor” não se limita a conteúdos teóricos, mas é um dom a ser acolhido e vivido. É preciso dar mais destaque ao dom de Deus que se manifesta nos casos concretos de casais e famílias que vivem segundo o Evangelho da Família. É urgente acompanhar os noivos e os casais jovens, anunciando-lhes Alegria do Amor familiar. O mesmo anúncio não pode faltar aos casais em crise e às pessoas que deixaram de corresponder plenamente ao que o Senhor nos propõe. Esta urgência pastoral, portanto, consiste em anunciar o Evangelho da Família, guiar os noivos no caminho da sua preparação para o matrimônio, em acompanhar os casais e famílias nos primeiros anos da vida matrimonial, em iluminar as crises e as dificuldades, em acompanhar, discernir e integrar a fragilidade.

 

106. Indicações Pastorias

  1. Fazer com que as famílias sejam sujeitos cada vez mais ativos da transmissão da fé e da pastoral familiar. Nesse sentido, é necessário um esforço evangelizador e catequético orientado para a família e que envolva a família. (AL 200).
  2. Ajudar os jovens a descobrirem o valor e a riqueza do Matrimônio, a captar o fascínio de uma união plena que eleva e aperfeiçoa a dimensão social da vida, confere à sexualidade o seu sentido maior (AL 205).
  3. Organizar a preparação próxima ao Matrimônio, dando prioridade – juntamente com o renovado anúncio do querigma – aos conteúdos que, comunicados de forma atraente e cordial, ajudem os noivos a se comprometer por toda a vida com grandeza de alma e com liberdade e a iniciar com solidez a vida familiar (AL 207).
  4. Oferecer, através de famílias missionárias, uma preparação remota para ajudar a amadurecer o amor dos jovens. Não se deve esquecer que os que chegam melhor preparados ao casamento são aqueles que aprenderam dos seus próprios pais o que é o Matrimônio cristão (AL 208).
  5. Fazer com que a pastoral matrimonial seja uma pastoral do vínculo, na qual se ofereçam conselhos práticos, bem encarnados, estratégias tomadas a partir da experiência e das orientações psicológicas (AL 211).
  6. Uma vez que os primeiros anos de casamento são um período vital e delicado, é necessário acompanhar pastoralmente os recém-casados, colocando em ação iniciativas que cultivem uma espiritualidade familiar fundada na Eucaristia dominical e na oração familiar cotidiana. Nesse sentido, a paróquia deve oferecer às famílias recém-formadas o apoio de famílias especializadas e de associações, movimentos e novas comunidades (AL 223).
  7. Fortalecer a educação dos filhos reconhecendo o protagonismo dos pais: os pais tornem-se, de fato, os primeiros catequistas dos filhos, introduzindo-os na prática da vida cristã e eclesial.
  8. Aplicar grande esforço na educação sexual das novas gerações e também das mais velhas. Em um contexto de falta de pudor e de irresponsável utilização da outra pessoa como objeto de experiências, é mais urgente tomar a sério a educação sexual. A educação sexual deve ajudar a aceitar o próprio corpo, de modo que a pessoa não pretenda cancelar a diferença sexual (AL 285).
  9. Reorganizar as atividades paroquiais, das comunidades, pastorais, grupos, movimentos e realidades eclesiais para que sejam espaço de evangelização das famílias e onde as famílias sejam evangelizadoras.
  10. Defender e valorizar a família como escola de valores humanos e cristãos. Reconhecer o protagonismo da família na educação cristã e na catequese das novas gerações.
  11. Promover uma ação evangelizadora que fomente o cultivo de uma espiritualidade familiar vigorosa e profunda. Incentivar momentos de oração e o exercício da caridade em família, que envolvam as crianças e os jovens.
  12. Ir ao encontro e acolher as famílias afastadas da vida eclesial. Buscar a conversão pastoral no sentido de tornar as comunidades cristãs e organizações eclesiais autênticos “hospitais de campanha”, onde as famílias feridas possam fazer a experiência do amor que não julga, que perdoa e cura.
  13. Acompanhar uniões, ditas irregulares, em vista de um discernimento pastoral das situações das pessoas que deixaram de viver a plenitude do Matrimônio cristão para identificar elementos que possam favorecer a evangelização e crescimento humano e espiritual, seguindo as orientações do Papa Francisco na Exortação “Amoris Laetitia” (AL 293).
  14. Tendo em vista a gradualidade na Pastoral Familiar, enfrentar todas as situações difíceis de forma construtiva, procurando transformá-las em oportunidade de caminho para a plenitude do Matrimônio e da família à luz do Evangelho (AL 294). Nesse sentido, valorizar os pequenos passos de cada pessoa e de cada família no caminho de conversão e de aproximação de Jesus.
  15. Criar e organizar nas Regiões Episcopais Centro de Escuta e Câmaras Eclesiásticas, para atender e acompanhar os casos de declaração de nulidade matrimonial, exprimindo concretamente, através desse serviço pastoral, a proximidade da Igreja de São Paulo a esses casais.
  16. Reforçar a colaboração entre os movimentos familiares e a Pastoral familiar, em vista da ação evangelizadora na e com as famílias.
  17. Oferecer aos seminaristas formação interdisciplinar sobre as questões matrimoniais e familiares, em vista da sua preparação para a animação eficaz da Pastoral Familiar.
  18. Formar agentes leigos de Pastoral Familiar, com a ajuda de psicopedagogos, médicos de família, médicos de comunidade, assistentes sociais, advogados de menores e família, predispondo-os para receber as contribuições da psicologia, sociologia, sexologia e até aconselhamento (AL 204).
  19. Demonstrar o interesse e o acolhimento à família nas paróquias. É importante que sejam celebradas na comunidade e na Igreja as datas marcantes da vida familiar, de modo especial, o aniversário de casamento, o nascimento dos filhos, a admissão deles aos Sacramentos da iniciação à vida cristã, os falecimentos. As Paróquias, os Movimentos, as Associações de famílias não percam a oportunidade de tais ocorrências.
  20. As celebrações de datas importantes para a vida familiar ajudam a viver a indissolubilidade e a fecundidade do Matrimônio como precioso dom de Deus, e não como obrigação extrínseca ou fardo a ser carregado de má vontade. Em tais celebrações, deve-se fazer o que é da natureza do celebrar cristão: demonstrar gratidão pelo dom de Deus, e não tanto homenagear os esforços humanos. De maneira mais precisa: evidenciar e reconhecer que o heroísmo humano é sobretudo dom de Deus, que inspira, sustenta e leva a pleno cumprimento a boa obra.