Uma Igreja em Caminho – IV Fiel à vocação de evangelizar!

62. Diante do cenário desafiador em que se encontra a Igreja Católica na cidade, ela coloca sua fé e confiança no Senhor Ressuscitado, que jamais desampara os seus discípulos. Se são numerosos os desafios, não são poucos os sinais de esperança, que levam a Igreja em São Paulo a abraçar com novo ardor sua vocação e missão!

63. Os Apóstolos Pedro e João, interpelados pelo mendigo na porta do Templo, respondem: “Nem ouro nem prata possuo, mas o que tenho, isto te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!” (At 3,6). Assim, os bispos da América Latina e do Caribe, reunidos em 2007 na Conferência de Aparecida, afirmaram, diante da realidade desafiadora latino-americana para a evangelização no Continente: “Não temos outro tesouro, a não ser este; não temos outra felicidade, nem outra prioridade, senão a de sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências” (cf. DAp 14).

64. Em Jesus Cristo, todos os homens encontram a vida. No encontro com Ele, os olhos se abrem, os ouvidos se descerram, as paralisias são vencidas. Nele o coração da humanidade se abre ao amor verdadeiro, aquele amor que faz reconhecê-Lo no irmão que sofre (cf. Mt 25,31-46) e servir sem esperar recompensa. “Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-Lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou ao nos chamar e nos escolher. Com os olhos iluminados pela luz de Jesus Cristo ressuscitado, podemos e queremos contemplar o mundo, a história, os nossos povos da América Latina e do Caribe, e cada um dos seus habitantes” (DAp 18).

65. Movida pela fé em Jesus Cristo, a Igreja de São Paulo reconhece que a sua vocação é evangelizar e anunciar a salvação de Jesus Cristo a todas as pessoas nesta cidade. “Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na santa Missa, que é o memorial da sua morte e gloriosa ressurreição” (Evangelii Nuntiandi, n.14). “Temos à disposição um tesouro de vida e de amor que não pode enganar, a mensagem que não pode manipular nem desiludir. É uma resposta que desce ao mais fundo do ser humano e pode sustentá-lo e elevá-lo. É a verdade que não passa de modo, porque é capaz de penetrar aonde nada mais pode chegar. A nossa tristeza infinita só se cura com um amor infinito” (EG 265).

66. O potencial evangelizador da Igreja é capaz de “modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio de salvação” (Evangelii Nuntiandi, 19).

67. O Objetivo Geral da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, definido nas Diretrizes Gerais aprovadas pela 53ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil (CNBB), em abril de 2015, é o seguinte: “EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino Definitivo”.

68. Portanto, este também é o objetivo geral para a ação evangelizadora na Arquidiocese de São Paulo, com uma conotação particular: a “conversão pastoral” e “a pastoral em chave missionária” para que a Igreja em São Paulo possa cumprir sua vocação e missão nesta cidade imensa e complexa, mas cheia de possibilidades. “A pastoral em chave missionária exige o abandono deste cômodo critério pastoral: ‘fez-se sempre assim’. Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades. Uma identificação dos fins, sem uma condigna busca comunitária dos meios para alcançá-los, está condenada a traduzir-se em mera fantasia… Importante é não caminhar sozinho, mas ter sempre em conta os irmãos e, de modo especial, a guia dos Bispos, num discernimento pastoral sábio e realista” (EG 33).

69. A conversão pastoral, antes de tudo, é uma nova postura missionária, que deve impregnar todas as estruturas eclesiais da Arquidiocese: o 12º Plano de Pastoral, a vida das paróquias, comunidades religiosas, movimentos e de qualquer instituição da Igreja em São Paulo. Nenhuma comunidade deve deixar de entrar decididamente, com todas as forças, nesse processo constante de renovação missionária (cf DAp 365). “A conversão pastoral de nossas comunidades exige que se vá além de uma pastoral de mera conservação, passando a uma pastoral decididamente missionária. Assim será possível que o único programa do Evangelho continue introduzindo-se na história de cada comunidade eclesial com novo ardor missionário, fazendo com que a Igreja se manifeste como mãe que vai ao encontro, como casa acolhedora, como escola permanente de comunhão missionária” (DAp 370).

70. Na Carta Pastoral “Paróquia: torna-te o que tu és!” (2011), lemos: “Uma coisa é certa: o futuro de nossa Igreja e da paróquia depende do nosso ânimo missionário hoje. Por isso mesmo, a preocupação missionária não pode deixar de colocar seu foco na formação religiosa das crianças e dos jovens, atraindo-os, ajudando-os a se sentirem parte da comunidade eclesial, formando-os nas riquezas da fé e nos caminhos da vida cristã. Os casais e as famílias católicas devem merecer toda a atenção e apoio para que façam de seus lares verdadeiras células de vida cristã; elas são a “primeira escola da fé” para as novas gerações (cf. DAp n. 302). Um grande trabalho missionário será realizado quando os pais cristãos fizerem bem a sua parte, iniciando os filhos nas coisas da fé e introduzindo-os na vida da Igreja” (Carta Pastoral, pág. 27).